Você pode estar avaliando suas campanhas no mês errado. Entenda como o ciclo de vendas muda a análise do marketing, o follow-up e o planejamento comercial.

Ciclo de vendas: você está desligando campanhas cedo demais?

Imagine uma corretora de seguros que recebeu 20 pedidos de orçamento em janeiro. Até o fim do mês, duas pessoas contrataram.

O empresário olha o resultado, fica frustrado e começa a questionar o marketing. Talvez os anúncios estejam atraindo as pessoas erradas. Talvez a campanha precise mudar. Talvez seja melhor parar de investir.

Em fevereiro, chegam dez novos pedidos de orçamento e a empresa realiza seis vendas. A impressão é de que o mês foi muito melhor: menos contatos, mais contratos.

Só que existe uma informação capaz de mudar essa leitura. Das seis pessoas que contrataram em fevereiro, cinco tinham pedido orçamento em janeiro.

Parte das vendas de fevereiro começou a ser construída no mês anterior.

Fevereiro realmente teve mais vendas realizadas. Mas isso não significa que suas ações de aquisição tenham sido melhores. A análise está misturando o momento em que a oportunidade chegou com o momento em que a compra aconteceu.

Se o empresário desligasse a campanha ao terminar janeiro, poderia interromper justamente a ação que havia colocado aquelas cinco pessoas em contato com a corretora.

O problema estaria na forma de avaliar o resultado: comparar o investimento feito em janeiro apenas com as vendas concluídas dentro de janeiro.

Existe um intervalo entre alguém demonstrar interesse e decidir comprar. Conhecer esse tempo ajuda a entender o que está acontecendo no marketing, no comercial e no planejamento da empresa.

Vamos continuar com a corretora e observar algumas clientes do exemplo. Juliana pediu orçamento em 3 de janeiro e contratou em 28 de janeiro: foram 25 dias. Maria entrou em contato em 8 de janeiro e comprou em 10 de fevereiro: 33 dias. Fernanda pediu orçamento em 15 de janeiro e só fechou no começo de março, mais de 40 dias depois.

Os prazos são diferentes, mas mostram por que uma oportunidade não pode ser avaliada apenas pelo que aconteceu nos primeiros dias da conversa.

Um contato que chegou ontem e ainda não comprou pode simplesmente estar no começo da decisão.

A pessoa talvez esteja comparando propostas, entendendo a cobertura, organizando o orçamento ou aguardando o vencimento de um contrato atual. O fato de ainda não ter comprado, sozinho, não revela se ela tem ou não potencial.

Para esta análise, vamos chamar de ciclo de vendas o intervalo entre o primeiro contato identificável e a contratação. A pesquisa do cliente pode ter começado antes, mas esse é um trecho da jornada que a empresa consegue registrar e acompanhar.

Quando esse intervalo é ignorado, uma campanha recente pode parecer pior do que realmente é. Se os clientes costumam levar algumas semanas para contratar, dez dias de campanha talvez ainda sejam insuficientes para observar boa parte das vendas que ela poderá gerar.

Isso não significa que basta esperar para o resultado aparecer. Uma campanha pode estar atraindo contatos sem perfil, uma oferta pode não fazer sentido e o atendimento pode estar perdendo oportunidades.

A análise precisa considerar esses sinais desde o começo: quem está chegando, o que procura, se pede orçamento, quais dúvidas apresenta e se avança na conversa.

É possível avaliar uma campanha durante o processo. O cuidado é não tratar “ainda não comprou” como prova de que ela não funciona.

Para entender melhor os resultados, acompanhe também os clientes pelo período em que chegaram.

No exemplo, os 20 contatos de janeiro geraram duas vendas naquele mês e outras cinco em fevereiro. Ao fim de fevereiro, aquele grupo já havia produzido sete contratações. Algumas oportunidades ainda poderiam continuar em aberto.

Essa leitura conta uma história diferente daquela que terminou com “janeiro trouxe 20 contatos e só duas vendas”.

Também é preciso dar aos contatos de fevereiro um tempo de acompanhamento semelhante antes de comparar o desempenho dos dois grupos. Caso contrário, os interessados mais antigos terão tido mais tempo para decidir do que os recém-chegados.

O relatório mensal continua sendo útil para saber quanto a empresa vendeu em cada período. Para avaliar a origem dessas vendas, é necessário relacionar cada contratação ao contato e à ação que a antecederam.

Essa informação também muda o acompanhamento comercial.

Imagine que, depois de analisar várias contratações da corretora, a equipe perceba que a maior parte acontece entre 20 e 35 dias após o primeiro contato. Esse intervalo descreve o histórico daquele negócio; não é uma regra para todas as empresas de seguros.

Uma pessoa pediu orçamento há quatro dias e ficou em silêncio. Isso merece acompanhamento, mas ainda não basta para concluir que a oportunidade foi perdida.

Agora pense em uma negociação que está aberta há 75 dias, com várias revisões de proposta e nenhum próximo passo definido. Ela se afastou bastante do prazo mais frequente. Vale investigar o motivo.

Pode existir uma data específica para contratar, uma dúvida que não foi resolvida, outra pessoa envolvida na decisão ou uma mudança de prioridade. A equipe precisa descobrir o que está acontecendo para decidir como continuar.

Conhecer o ciclo de vendas não significa esperar 30 dias para retomar uma conversa.

O follow-up precisa considerar o que o cliente disse, as informações que ainda faltam e o próximo passo combinado. Uma dúvida sobre a proposta pode ser esclarecida hoje, mesmo que a contratação esteja prevista para o mês seguinte.

O prazo ajuda a interpretar a situação. Ele não substitui a conversa nem transforma todo contato em uma venda futura garantida.

Talvez a consequência mais importante desse conhecimento apareça no planejamento.

Se uma parte relevante dos clientes leva cerca de um mês para contratar, buscar oportunidades apenas quando a meta do mês está ameaçada significa começar tarde para parte das vendas desejadas.

A empresa chega ao dia 1º querendo faturar R$ 100 mil, mas só então decide intensificar anúncios e prospecção. Os novos interessados entram em contato, pedem informações e começam a avaliar. Enquanto isso, a pressão pela meta continua.

Alguns podem comprar rapidamente. A empresa respira, reduz o esforço de aquisição e volta a concentrar a atenção na operação. Sem continuidade, algumas semanas depois há poucas oportunidades avançadas e a corrida recomeça.

A urgência da meta não encurta automaticamente o tempo de decisão do cliente.

Se as contratações precisam amadurecer, o planejamento deve considerar as oportunidades que já estão em andamento e aquelas que precisam começar a ser construídas para os próximos períodos.

Isso não exige manter o mesmo investimento todos os dias. Exige continuidade, acompanhamento e decisões compatíveis com o tempo que a empresa costuma levar para vender.

Para descobrir esse intervalo, comece por um conjunto de vendas recentes e reúna algumas informações:

  1. Data do primeiro contato identificável. Pode ser a primeira mensagem no WhatsApp, o preenchimento de um formulário ou outra interação registrada. Use o mesmo critério ao comparar os clientes.
  2. Origem da oportunidade. Registre a campanha, a indicação, a busca ou outro caminho pelo qual a pessoa chegou, quando essa informação estiver disponível.
  3. Data da compra ou contratação. Defina um marco consistente para considerar a venda concluída.
  4. Quantidade de dias entre as duas datas. Esse é o intervalo que será analisado em cada venda.

Depois, observe como os prazos se distribuem. A média ajuda, mas pode ser influenciada por poucas vendas muito rápidas ou muito demoradas. A mediana, que representa o valor central dos prazos ordenados, pode complementar essa leitura.

Não descarte automaticamente o menor e o maior prazo. Uma contratação imediata pode ter vindo de uma indicação forte. Uma negociação longa pode estar ligada a uma renovação futura. Esses casos também podem ensinar algo sobre a compra.

Se houver dados suficientes, vale observar diferenças entre produtos, origens dos contatos e clientes novos ou recorrentes. Juntar situações muito distintas em um único número pode esconder informações úteis.

E continue acompanhando as oportunidades em aberto. O histórico das vendas concluídas ajuda a reconhecer padrões, mas não determina quando cada pessoa que ainda está negociando vai comprar.

Com esses registros, marketing e comercial conseguem discutir perguntas mais úteis: estamos avaliando cedo demais? O acompanhamento faz sentido para o momento do cliente? Esta negociação precisa de alguma intervenção? Estamos criando oportunidades com antecedência suficiente?

Na nossa visão, conhecer o ciclo de vendas ajuda a empresa a decidir com mais contexto e menos susto. O contato que chegou hoje pode contribuir para a receita do mês que vem, enquanto uma venda fechada agora pode ser resultado do trabalho iniciado semanas atrás.

Antes de desligar uma campanha por poucas vendas no mês, descubra quanto tempo seus clientes levam para comprar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Quase lá!

Deixe seu Whatsapp e vamos tirar todas as suas dúvidas antes de fecharmos nossa parceria.

Utilizamos cookies para melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.